quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Novos materiais



Sólido que se comporta como líquido vai miniaturizar baterias
Redação do Site Inovação Tecnológica -  08/09/2016


Os íons passam pelo interior do material sólido como se ele fosse um líquido. [Imagem: ACS/JACS]




Sólido ou líquido?
Um sólido que se comporta como um líquido - e que não seja um material granulado - pode parecer algo bizarro, mas é justamente isso o que Demetrius Vazquez-Molina, da Universidade Central da Flórida, nos EUA, acaba de descobrir.

De acordo com as primeiras análises, o material pode abrir um mundo de novas possibilidades de aplicações no campo da eletrônica e da computação, da óptica e principalmente das baterias.

Tudo começou quando Demetrius pressionou um material chamado COF-5, uma nanoesponja sintética e não-inflamável, para formar estruturas maiores. Ao analisar a estrutura das peças finais, usando difração de raios X, o material parecia exibir uma estrutura cristalina interna muito estranha e diferente do que seria de se esperar.

O resultado da análise mostrou que as estruturas cristalinas dentro das peças prensadas assumem padrões precisos que permitem que íons fluam livremente, como se estivessem dentro de um líquido - um autêntico sólido com comportamento de líquido.

Bateria totalmente sólida
Imediatamente a equipe pensou nas baterias de lítio, que precisam de eletrólitos líquidos para que os íons de lítio fluam - mas esses eletrólitos têm limitações e vários riscos, e são eles que tornam as baterias grandes.

Usar um material sólido para que os íons de lítio fluam de um eletrodo para outro dentro da bateria pode se mostrar algo revolucionário.

"Nós ainda precisamos fazer muitos testes, mas isto é muito promissor. Se pudermos eliminar a necessidade de um líquido e usar outro material que não seja flamável, isso exigirá menos espaço e menos invólucros, o que pode realmente mudar as coisas. Isso significará baterias menores e mais leves," disse o professor Fernando Uribe-Romo, coordenador da equipe.

A estrutura cristalina desse sólido com jeitão de líquido também poderá avançar a miniaturização da eletrônica e otimizar a transferência de dados por meio de luz.
Bibliografia:

Mechanically Shaped Two-Dimensional Covalent Organic Frameworks Reveal Crystallographic Alignment and Fast Li-Ion Conductivity
Demetrius A. Vazquez-Molina, Gavin S. Mohammad-Pour, Chain Lee, Matthew W. Logan, Xiangfeng Duan, James K. Harper, Fernando J. Uribe-Romo
Journal of the American Chemical Society
Vol.: 138 (31), pp 9767-9770
DOI: 10.1021/jacs.6b05568

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Novos materiais

Madeira transparente anula inclinação do Sol e faz iluminação natural homogênea
Redação do Site Inovação Tecnológica -  25/08/2016

A madeira transparente anula o ângulo de inclinação da luz conforme o Sol se move. [Imagem: University of Maryland/Advanced Energy Materials]

Travando o Sol
A madeira transparente, um material só descoberto neste ano, parece ser mais versátil e mais útil do que se imaginava a princípio.
Uma das equipes pioneiras no desenvolvimento desse novo material acaba de demonstrar que janelas e telhados feitos de madeira transparente não apenas garantirão maior eficiência energética e melhor isolamento térmico, como também permitirão um tipo de iluminação que não pode ser obtido com nenhum material conhecido hoje.
A grande vantagem, em comparação com o vidro, por exemplo, é que a madeira transparente elimina o ofuscamento causado pelo brilho excessivo e garante uma iluminação uniforme ao longo do dia, independentemente da posição do Sol - ela anula o ângulo de inclinação da luz conforme o Sol se move.
Os canais na madeira dirigem a luz visível diretamente através de todo o painel de madeira transparente, mas a estrutura celular da madeira que permanece no material final direciona a luz sempre do mesmo modo. Além disso, esses resquícios dos canais celulares geram um efeito de "neblina", o que significa que a luz não incide diretamente sobre os olhos.
"Isso significa que o seu gato não terá de se levantar a cada poucos minutos para se ajustar ao seu agradável facho de Sol," explica Tian Li, da Universidade de Maryland, nos EUA. "A luz do Sol vai ficar sempre no mesmo lugar. Além disso, o quarto fica o tempo todo com uma iluminação homogênea."
Madeira transparente
Trabalhar com a madeira transparente é semelhante a trabalhar com a madeira natural. A madeira transparente, porém, é à prova d'água, devido ao polímero que entra em sua composição. Além disso, ela é muito menos quebrável do que o vidro porque sua estrutura celular interna resiste ao estilhaçamento.
O próximo passo é começar a construir painéis de madeira transparente maiores, que possam ter aplicações práticas - a equipe trabalhou com quadrados de 2 cm x 2 cm.

Bibliografia:

Wood Composite as an Energy Efficient Building Material: Guided Sunlight Transmittance and Effective Thermal Insulation
Tian Li, Mingwei Zhu, Zhi Yang, Jianwei Song, Jiaqi Dai, Yonggang Yao, Wei Luo, Glenn Pastel, Bao Yang, Liangbing Hu
Advanced Energy Materials
DOI: 10.1002/aenm.201601122

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Cooperativa de produção de energia solar. Legal

Pará inaugura primeira cooperativa de energia renovável do país
Empreendimento está localizado em Paragominas, no sudeste do estado.
Energia gerada será descontada diretamente da conta da concessionária.
Do G1 PA



A primeira cooperativa de energia renovável do Brasil entrou em funcionamento, no município de Paragominas, no estado do Pará. A micro-usina de energia solar fotovoltaica da Cooperativa Brasileira de Energia Renovável (Coober) começou a operar neste mês de agosto com capacidade de 75 KWp, potência que deve ser ampliada em breve.

Segundo a cooperativa foram investidos R$ 600 mil na micro-usina solar. O recurso provém da contribuição dos 23 cooperados. A Coober foi criada em fevereiro deste ano, com base nas novas regras da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que entraram em vigor em dezembro de 2015, com o objetivo de estimular a geração de energia pelos próprios consumidores.

O espaço físico da micro-usina reúne 288 placas fotovoltaicas que possuem capacidade de produção média de 11.550 KW/h por mês. De acordo com a cooperativa toda energia será injetada no sistema da rede Celpa. O resultado será rateado entre os cooperados e descontado diretamente na conta de energia. A estimativa é de que metade do quadro social da Coober tenha a conta completamente zerada, dependendo do nível de consumo individual.

Para o superintendente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Renato Nobile, a tendência é de que em poucos anos o Brasil tenha centenas de cooperativas de energia renovável espalhadas pelo país produzindo energia  de forma compartilhada e distribuindo entre seus cooperados.

"É um passo concreto em um caminho que não tem volta, a matriz de produção mundial será renovável, gastando muito menos sem transmissão, afetando muito menos o ambiente com uma forma econômica mais viável e acessível”, afirma Nobile.
Segundo o advogado ambientalista Raphael Sampaio Vale, presidente da Coober, colocar a cooperativa em operação representa uma mudança história no setor elétrico brasileiro.

“Todos nós estamos na expectativa de começar a gerar a própria energia elétrica de fonte limpa, sem agredir a natureza e sem causar prejuízos às populações que normalmente são afetadas pelos grandes projetos”, afirmou Raphael Vale.

Entre as vantagens elencadas pela Coober estão o não consumo compulsório de energia elétrica gerada por uma usina que leva ao desaparecimento de uma parte da floresta, que inunda reservas indígenas ou de uma térmica a óleo combustível que joga diariamente toneladas de veneno na atmosfera.

Para a Coober, as vantagens de se produzir energia renovável (solar fotovoltaica) em cooperativa e não de maneira individualizada são várias. Entre elas: menor valor investido, já que os custos são divididos por 23; mobilidade na produção, os cooperados podem mudar de endereço sem se preocupar com os equipamentos; desenvolvimento de uma cultura de colaboração; melhor escolha/avaliação das opções, mais pessoas pensando com o mesmo objetivo; melhor relação com a concessionária; e tratativas mais adequadas de benefícios e isenções fiscais.

Além disso, a cooperativa afirma que o uso de energia solar leva ao não consumo compulsório de energia elétrica gerada por uma usina que leva ao desaparecimento de uma parte da floresta, que inunda reservas indígenas ou de uma térmica a óleo combustível que joga diariamente toneladas de veneno na atmosfera.

O movimento cooperativista, no país, é representado oficialmente pelo Sistema OCB, com suas três entidades: Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Confederação Nacional das Cooperativas (CNCoop) e Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop).

O Sistema conta com uma unidade nacional e 27 estaduais – localizadas nas capitais de cada estado e, também, no Distrito Federal. Seu papel é trabalhar pelo fortalecimento do cooperativismo no Brasil. A soma de todas essas forças tem um importante objetivo comum: potencializar a presença do setor na economia e na sociedade brasileira


segunda-feira, 25 de julho de 2016

Bancos absurdos



Três bancos aumentam taxa de cheque especial em julho, diz Procon-SP
  • 25/07/2016 16h28
  • Brasília



Flávia Albuquerque – Repórter da Agência Brasil
Três entre sete instituições financeiras analisadas em pesquisa da Fundação Procon-SP elevaram a taxa de cheque especial em julho. A taxa média foi de 13,46% ao mês (a.m.), superior à do mês anterior, que foi de 13,37% a.m., representando uma alta de 0,09 ponto percentual. 

As altas verificadas são no Banco do Brasil, que alterou de 12,40% para 12,61% a.m., o que significa uma variação positiva de 1,69% em relação à taxa de junho de 2016. O Bradesco alterou de 12,89% para 12,99% ao mês, uma variação positiva de 0,78%. A Caixa Econômica Federal alterou de 12,59% para 12,88% ao mês, variação positiva de 2,30%.

No caso de empréstimo pessoal, a taxa média dos bancos pesquisados foi de 6,56% a.m., superior à do mês anterior que foi de 6,48%, representando uma alta de 0,08 ponto percentual.

A única modificação nessa modalidade foi a do Banco Safra, que elevou de 5,40% a.m. para 5,90%, acréscimo de 0,50 ponto percentual, uma variação positiva de 9,26% em relação à taxa de junho .

De acordo com os especialistas da Fundação Procon-SP, é imprescindível que o consumidor tenha um bom controle financeiro, evitando contrair dívidas, pois as taxas de juros estão em patamares elevadíssimos, como comprova a pesquisa.
Edição: Maria Claudia
 

domingo, 17 de julho de 2016

Cooperativas, sempre



Isaac Guerreiro isaac.guerreiro@portalamazonia.com
15/07/2016 | 14h17 Atualizado em 15/07/2016 16:49:06
Como as cooperativas podem melhor a economia da Amazônia?
Região tem mais de 230 mil cooperados. Modelos de cooperativismo demonstram melhoria no desenvolvimento econômico


 Cooperativas fazem colheira de soja em Roraima. Foto: Divulgação/Governo de Roraima 


MANAUS - Uma em cada sete pessoas no mundo é associada a uma cooperativa. Os dados são da Aliança Cooperativa Internacional, órgão internacional que representa o movimento cooperativista. Na Amazônia, existem mais de 230 mil cooperados que adotaram o modelo socioeconômico capaz de gerar desenvolvimento na região.  

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) apontam que o segmento cooperativista exportou, em 2014, US$ 5,2 bilhões, alcançando superávit na balança comercial no valor de US$ 4,8 bilhões, a partir de relações comerciais junto a 143 países. Além de produtos agropecuários, as cooperativas contaram também com a participação nos setores de minério, calçados, transporte e turismo. A definição é da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).  

saiba mais
As cooperativas da Amazônia geram mais de 12 mil empregos diretos e foi uma das regiões que mais cresceu no Brasil. Entre 2011 e 2015 a região registrou mais de 35 mil cooperados, um crescimento de 22%. Entretanto, o número é relativamente menor que no Sul e Sudeste ,onde ultrapassa a marca de 5 milhões de cooperados. 

As cooperativas da Amazônia são predominantemente agrícolas e de crédito. Em Roraima, a área de transportes de pessoas e cargas é essencial para as relações comerciais do Estado. De acordo com a OCB Roraima, apenas uma das cooperativas de transporte de cargas do Estado teve um saldo de R$ 21 milhões em 2015. 

Benefícios do cooperativismo
De acordo com a superintendente do Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Roraima, Jucelia Rodrigues, a Amazônia tem muito potencial, mas ainda é preciso criar uma cultura. "O cooperatismo é fonte de renda e um campo muito fértil a ser explorado, entretanto é necessário que o produtor crie uma cultura e possa visualizar o cooperativismo como ferramenta de desenvolvimento", informou ao Portal Amazônia. Um dos exemplos de consolidação no mercado, é a Cooperativa dos Cinco Polos. A associação nasceu de um projeto de assentamento da reforma agrária e, com dez anos de existência, já tem mais de mil famílias envolvidas. 

O pesquisador e professor da Universidade Federal de Roraima, Emerson Clayton Arantes, aponta que a cooperativa de Roraima tem grande evolução. "Acredito que seja preciso cada vez investir em informação porque cooperativas precisam de uma gestão muito bem atualizada. É um momento muito fértil para o cooperativismo na região", disse Arantes. 

Arantes explica que o cooperativismo foi crucial para o desempenho econômico da região. "Graças à ele um grupo de pessoas que antes tinham problemas na produção e venda de produtos isolada, agora pode dividir melhor os custos e dinamizar os recursos para gerar mais lucro e qualidade de vida", destacou. 

O pesquisador na área de cooperativismo, explica que quando você compra ou vende produtos em grande quantidade torna-se mais fácil negociar descontos e vender por bons preços. "Esse é um dos benefícios do cooperativismo. Além disso, o Governo oferece descontos fiscais para produtores que atuam dentro de uma cooperativa. Entretanto, o maior benefício é o social. Um dos pilares da atividade é ser um modelo voltado para as pessoas", elencou.  

Diante do cenário atuante do cooperativismo e para ajudar na gestão das associações, a Universidade Federal de Roraima oferece um MBA de Gestão de Cooperativas que atende vários integrantes de cooperativas do Estado.
A superintendente, Jucelia Rodrigues, acredita que a Amazônia vive um período de desenvolvimento para o setor. “A regiãoé muito fér til e o cooperativismo é uma ferramenta que traz aumento na produção e bem estar social. Quanto mais pessoas entenderem a filosofia do cooperativismo e aplicarem na criação de projetos maior vai ser o ganho geral não só em dinheiro, mas em qualidade de vida", finaliza.