sexta-feira, 5 de maio de 2017

História do polo moveleiro de Belo Horizonte




19 Set 2012 1 Comentário



O nascimento do polo moveleiro de Belo Horizonte;
Uma história de coragem e prosperidade.

Em meio a trezentos e cinquenta mil habitantes, no idos de 1950, lá, naquele tempo, quando a jovem Belo Horizonte ainda prometia ser uma das maiores cidades do Brasil, nascia o polo moveleiro da Silviano Brandão. Época de oportunidades, época de esperança, época de dificuldades.

Foi no início da década de 1950 que surgiu a primeira loja de móveis da Avenida, com o nome de Fabrica de Móveis Ianni, fundada pelo pioneiro Sr. Walter Ianni, um comerciante, que de engraxate, passou por luthier e tornou-se um grande empresário.

A família de Walter Ianni chegou da Itália no início do século e instalou-se onde hoje se encontra a Rua Macedo com Silviano Brandão, naquela época conhecida como Córrego da Mata. De origem humilde, Ianni, filho mais velho dos seus sete irmãos, seguiu os passos de seu pai Humberto Ianni na profissão de marceneiro, tendo crescido dentro da fábrica de móveis.

Foi nessa época, ainda quando criança, que nos intervalos do barulho das serras e do ruído das lixadeiras, descobriu o som do violino. Um vizinho que tocava o instrumento também tocou a sensível alma do aprendiz de marceneiro. Decidiu investir todos seus esforços de engraxate no sentido de ajuntar dinheiro suficiente para adquirir o instrumento e tornar-se um um músico. Como não poderia ser diferente para aquela intrépida alma, conseguiu todo o dinheiro de que precisava para a grande aquisição de sua vida. Todavia, interveio seu pai ao saber, impedindo-lhe de realizar seu sonho, sob a justificativa de que não se tratava de prioridade a aquisição de um violino para uma família pobre, que passava por dificuldades.

É diante das dificuldades que surge a oportunidade de se superar. Já que não podia comprar seu instrumento, iria ele mesmo fabricar o seu! Ajuntou os retalhos de madeira e como quem nasce para enfrentar barreiras e transformar as coisas do mundo surgiu seu primeiro violino. Mesmo que não tivesse um som cristalino e afinação precisa, ali estava realizado seu grande sonho. O primeiro passo de muitos havia sido dado.

Com o passar do tempo, Ianni, a fim de aprimorar seu estudos da fabricação perfeita do instrumento matriculou-se no SENAI, tendo ali se formado marceneiro. Nesse momento seu trabalho tomava corpo e seus instrumentos estavam cada vez mais requintados e com uma sonoridade vibrante e pura. 

Nesse ínterim conheceu sua futura esposa, Giselda. Ela, proveniente do Rio de Janeiro e encantada com a beleza do seu trabalho, levou-o à sua cidade natal, onde as oportunidades multiplicavam-se. Nessa ocasião, o luthier de Minas, teve oportunidade de expor sua obra e receber elogios de diversos críticos e musicistas. Chegando mesmo a ter seus instrumentos comparados ao do renomado luthier italiano Antonius Stradivarius de Cremona.

Uma comissão foi designada para apurar e conferir seu trabalho. E, após acurada pesquisa, foi-lhe concedido por essa conquista de tenacidade na busca de um ideal uma medalha de honra ao mérito.

Entretanto, como a vida não é feita de fantasias e ilusões, e por mais maravilhosa que fosse a atividade de luthier e por mais requintado que fosse o seu trabalho artístico, não se demostrou suficiente para dar o conforto que imaginara para sua família que crescia.

Naquela época, Walter resolveu tomar frente na fábrica em que seu pai trabalhava. 

Concentrou todos seus esforços na produção industrial, e revendia para comerciantes em diversas lojas espalhadas pela cidade. Mas o tempo foi passando e estava cada vez mais insatisfeito com as condições impostas pelos revendedores comerciantes com os quais negociava. Decidiu, novamente, mudar o rumo da história e para tanto, mandou que fizesse uma faixa, afixou-a na porta de sua fabriqueta, nela continha os seguintes dizeres: “Quem fabrica, vende mais barato”. Por que não podia ele mesmo vender o que fabricava?

Surgiu, aí, a primeira loja de móveis da Avenida Silviano Brandão.

Novamente, como quem não nasceu para ver as coisas da plateia, Walter, sob admiração de seus empregados e amigos, prosperou com sua empresa, a Fábrica de Móveis Ianni que se transformou numa das mais importantes lojas do setor mobiliário nas década de sessenta, setenta e oitenta, e atraiu diversos outros vendedores de móveis para a Avenida. Semente do polo moveleiro que hoje se vislumbra e consolida-se.

Assim, mesmo após sua prematura morte aos 51 anos de idade em 1981, com a semente de ímpeto lançada por Ianni, e por sua corajosa ousadia naquela jovem Belo Horizonte, surge hoje, de forma definitiva, ao lado da luta dos idealizadores desse movimento encabeçado pela empresária Eliana Reis, o mais importante polo moveleiro do Brasil, gerador de histórias e riquezas, impostos e investimentos, empregos e segurança, mas, principalmente, gerador de muita prosperidade.

Belo Horizonte, 01 de agosto de 2012


Walter Ianni Netto
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domingo, 30 de abril de 2017

Precisamos de madeira!



O MITO DA MADEIRA DE SUPRESSÃO VEGETAL








A VALE manda arrancar a floresta da superfície porque oque a interessa é o subsolo. Ora, na superfície estão as arvores, os bichos, lagos, rios e pássaros. Ao suprimir a floresta, toda a sua encomenda vai para o beleléu. 

 
E não adianta falar que recolhe cobras, aranhas, veados, macacos porque moramos aqui e sabemos que não. Em mais de vinte a nos de exploração onde estão tantos bichos?

Para onde foram as águas, os pássaros? Se os seres humanos que conhecemos aqui e amamos se foram para longe quando o projeto se estabilizou, quanto mais as árvores e a bicharada. 

Adeus ecossistema, adeus ambiente. Ficou e ficara um buraco, maior que o mundo.
E os troncos das madeiras, cortadas ou suprimidas como se diz. Essa madeira jaz aos montes, apodrecendo ou a VALE a distribuindo como quer.



Lutamos para que essa madeira desça a serra. Que vire empregos e renda aqui em Parauapebas, a destruição está feita, nada se recupera. Os dólares do estrago entrarão em contas estrangeiras, bem longe daqui.

Mas há anos que a burocracia, nossos recursos e limitações, o total desencontro entre todos os agentes que deveriam patrocinar o desenvolvimento local, criam toda sorte de dificuldades e barreiras: ora é a prefeitura, o dam, a secretaria municipal do meio ambiente, a Vale, a secretaria estadual do meio ambiente, o Ibama... Sempre tem alguém que não quer ou permite aproveitarmos essa madeira e deixam-na apodrecer. Madeiras nobres e madeira de lenha. Mas sabemos separar e nada será perdido.



As fotos falam. E não é só madeira que está a perder em todas as áreas de supressão da VALE. Há sobras de minérios, de comida, de plástico, de equipamentos. Tudo amontoado no seio da floresta.



Vimos os acontecimentos de Mariana, nada foi resolvido e o gigantesco e longo Rio Doce, morto. Todos que subiram para ver o que a VALE faz com seus rejeitos localmente, testemunharam que está tudo bem. É temerário, ninguém questionou, fez recomendação...


Mas queremos a madeira. Precisamos da madeira de supressão da VALE que esta jogada, apodrecendo ou saindo em carradas para onde ninguém sabe.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Salve a natureza



Cola do bicho-da-seda captura metais nobres e contaminantes da água






Com informações da Unicamp -  07/11/2016
As partículas de sericina e alginato funcionam como um filtro, capturando os metais diluídos na água. [Imagem: Antonio Scapinetti/Unicamp]


Sericina
Além do fio de seda propriamente dito, o casulo do bicho-da-seda possui um tipo de cola, uma proteína, chamada sericina, que une os fios de seda uns aos outros, cimentando o casulo para manter sua integridade.

No processo industrial atual de beneficiamento da seda, a sericina é uma fonte de poluição das águas ou de custo adicional para o tratamento dos efluentes.

Os químicos Thiago Lopes da Silva e Meuris Gurgel da Silva, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), demonstraram agora que essa cola natural pode ter um destino mais nobre: em vez de se tornar um poluente, a sericina pode limpar a água, removendo metais tóxicos em estações de tratamento de água.

Para isso, a dupla criou partículas feitas de uma combinação de sericina com alginato, um derivado das algas marinhas. Essas partículas híbridas mostraram-se capazes de capturar da água metais tóxicos como cromo, cádmio, zinco ou chumbo. Dependendo do metal, as taxas de remoção podem chegar a mais de 99%.

Recuperação de metais nobres
O processo também funciona com metais preciosos como a prata, o ouro, o paládio e a platina, abrindo caminho para uso do processo na recuperação desses metais, em processos de mineração ou de reciclagem de materiais, onde esses metais nobres aparecem em concentrações muito baixas.

"O principal foco do nosso trabalho foi avaliar a remoção da prata porque, além de ela ser um metal nobre, e sua remoção dos efluentes apresentar benefícios econômicos, ela é tóxica quando está na forma iônica, dissolvida em água," explicou Thiago. "A prata é o metal nobre mais utilizado em processos industriais, e o crescente desenvolvimento de novos produtos que utilizam esse metal como agente bactericida, como por exemplo em materiais esportivos, faz com que a geração de efluentes que contêm o metal também aumente".

Filtragem de metais
O princípio do processo de descontaminação é semelhante à filtragem por carvão. A água contaminada com metais é colocada em contato com as partículas de sericina e alginato, e sai purificada. Os metais, que ficam capturados nas partículas, podem ser depois concentrados e reaproveitados. As partículas, após a extração do metal, podem ser reutilizadas em novos ciclos de purificação de água.

Os pesquisadores afirmam que outras equipes já vinham tentando usar apenas a sericina em pó para a recuperação de ouro e outros metais, mas a incorporação do alginato deu maior estabilidade ao composto, abrindo caminho para seu uso como filtro industrial.

"Se a gente consegue pegar uma coisa que está extremamente diluída em água, porém ainda acima do limite legal para descarte, e concentrar numa forma que viabilize a recuperação desse metal, isso é algo de grande interesse, devido ao alto valor comercial. Então, além do lado ambiental, a remoção dessa parte tóxica da água tem uma etapa de alto valor econômico", disse Thiago.