quarta-feira, 1 de março de 2017

Salve a natureza



Cola do bicho-da-seda captura metais nobres e contaminantes da água






Com informações da Unicamp -  07/11/2016
As partículas de sericina e alginato funcionam como um filtro, capturando os metais diluídos na água. [Imagem: Antonio Scapinetti/Unicamp]


Sericina
Além do fio de seda propriamente dito, o casulo do bicho-da-seda possui um tipo de cola, uma proteína, chamada sericina, que une os fios de seda uns aos outros, cimentando o casulo para manter sua integridade.

No processo industrial atual de beneficiamento da seda, a sericina é uma fonte de poluição das águas ou de custo adicional para o tratamento dos efluentes.

Os químicos Thiago Lopes da Silva e Meuris Gurgel da Silva, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), demonstraram agora que essa cola natural pode ter um destino mais nobre: em vez de se tornar um poluente, a sericina pode limpar a água, removendo metais tóxicos em estações de tratamento de água.

Para isso, a dupla criou partículas feitas de uma combinação de sericina com alginato, um derivado das algas marinhas. Essas partículas híbridas mostraram-se capazes de capturar da água metais tóxicos como cromo, cádmio, zinco ou chumbo. Dependendo do metal, as taxas de remoção podem chegar a mais de 99%.

Recuperação de metais nobres
O processo também funciona com metais preciosos como a prata, o ouro, o paládio e a platina, abrindo caminho para uso do processo na recuperação desses metais, em processos de mineração ou de reciclagem de materiais, onde esses metais nobres aparecem em concentrações muito baixas.

"O principal foco do nosso trabalho foi avaliar a remoção da prata porque, além de ela ser um metal nobre, e sua remoção dos efluentes apresentar benefícios econômicos, ela é tóxica quando está na forma iônica, dissolvida em água," explicou Thiago. "A prata é o metal nobre mais utilizado em processos industriais, e o crescente desenvolvimento de novos produtos que utilizam esse metal como agente bactericida, como por exemplo em materiais esportivos, faz com que a geração de efluentes que contêm o metal também aumente".

Filtragem de metais
O princípio do processo de descontaminação é semelhante à filtragem por carvão. A água contaminada com metais é colocada em contato com as partículas de sericina e alginato, e sai purificada. Os metais, que ficam capturados nas partículas, podem ser depois concentrados e reaproveitados. As partículas, após a extração do metal, podem ser reutilizadas em novos ciclos de purificação de água.

Os pesquisadores afirmam que outras equipes já vinham tentando usar apenas a sericina em pó para a recuperação de ouro e outros metais, mas a incorporação do alginato deu maior estabilidade ao composto, abrindo caminho para seu uso como filtro industrial.

"Se a gente consegue pegar uma coisa que está extremamente diluída em água, porém ainda acima do limite legal para descarte, e concentrar numa forma que viabilize a recuperação desse metal, isso é algo de grande interesse, devido ao alto valor comercial. Então, além do lado ambiental, a remoção dessa parte tóxica da água tem uma etapa de alto valor econômico", disse Thiago.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Perigo no ceu!



Asteroides próximos à Terra conhecidos chegam a 15.000
Redação do Site Inovação Tecnológica -  02/11/2016







 O asteroide próximo à Terra de número 15.000 foi chamado de 2016 TB57. [Imagem: NASA/JPL-Caltech]


Perigos conhecidos
O número de asteroides próximos da Terra (NEOs: Near-Earth Asteroids) já identificados alcançou a marca dos 15.000, com uma média de 30 novas descobertas adicionadas ao catálogo a cada semana.

Esta etapa marca um aumento de 50% no número de NEOs conhecidos desde 2013, quando as descobertas atingiram a marca de 10.000, em agosto daquele ano.

O asteroide próximo à Terra de número 15.000 foi chamado de 2016 TB57. Ele foi descoberto em 13 de outubro por astrônomos do Mount Lemmon Survey, que faz parte do programa de rastreamento de asteroides financiado pela NASA - o programa da NASA, que rastreia asteroides e cometas, responde por mais de 95% das descobertas feitas até agora.

O 2016 TB57 é um asteroide pequeno - entre 16 a 36 metros pelas primeiras estimativas - que atingiu seu ponto de maior aproximação da Terra nesta segunda-feira (31 de outubro), cerca de cinco vezes a distância da Lua.

Asteroide próximo à Terra
Um asteroide próximo da Terra é definido como um corpo celeste cuja órbita periodicamente o aproxima do Sol a até cerca de 1,3 vez a distância média da Terra ao Sol - cerca de 195 milhões de quilômetros, já que a distância média da Terra ao Sol, ou uma unidade astronômica, é de cerca de 150 milhões de quilômetros. Esta distância do Sol significa que o asteroide pode se aproximar até cerca de 50 milhões de quilômetros da órbita da Terra.

Já foram identificados mais de 90% da população estimada dos grandes asteroides - aqueles maiores do que um quilômetro.

Contudo, os astrônomos estimam que apenas cerca de 27% dos asteroides próximos à Terra maiores do que 140 metros foram localizados até o momento. O Congresso dos EUA determinou que a NASA encontre mais de 90% desses objetos menores até o final de 2020.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Renovação



Piso de madeira gera eletricidade a cada pisada
Redação do Site Inovação Tecnológica -  27/10/2016





Piso de madeira gera eletricidade a cada pisadaO professor Xudong Wang acredita que os nanogeradores durarão enquanto durar o piso. [Imagem: Stephanie Precourt/UW-Madison]


Colheita de energia
Já existem sapatos capazes de gerar energia, assim como projetos para transformar o piso inteiro em um gerador de eletricidade, permitindo aproveitar o movimento dos pedestres e veículos para iluminar ruas, calçadas e prédios comerciais.

A ideia de Chunhua Yao e seus colegas da Universidade Wisconsin-Madison, nos EUA, é tornar esses sistemas de colheita de energia mais ambientalmente amigáveis, dispensando os materiais piezoelétricos tradicionais, o que permitirá a adoção dessas tecnologias dentro de casa.

Para isso, eles se voltaram para um material que poucos desconfiariam poder ser usado para gerar eletricidade: a polpa de madeira já utilizada em pisos em todo o mundo.
Nanogerador de celulose
A polpa de madeira contém em sua composição nanofibras de celulose que, quando tratadas com compostos químicos adequados, produzem uma pequena carga elétrica quando entram em contato com fibras não tratadas.

Leve em conta os milhões de nanofibras presentes em centímetro quadrado de piso e está pronto um gerador triboelétrico, capaz de produzir uma quantidade aproveitável de energia - triboeletricidade é o mesmo fenômeno que produz a eletricidade estática nas roupas.
Os primeiros protótipos mostraram que os pisos de madeira produzem eletricidade suficiente para alimentar lâmpadas de LED ou recarregar celulares.

Vida longa
"Nosso teste inicial em laboratório mostrou que [o gerador] funciona por milhões de ciclos sem qualquer problema. Nós não convertemos esses números em anos de vida do piso ainda, mas acredito que, com um projeto adequado, ele pode definitivamente superar a vida útil do próprio piso," disse o professor Xudong Wang, coordenador da equipe.

Como a polpa de madeira é barata, e muitas vezes descartada pelas empresas, a equipe acredita que o baixo custo da matéria-prima poderá ajudar a colocar sua ideia no mercado.


Bibliografia:

Triboelectric nanogenerators and power-boards from cellulose nanofibrils and recycled materials
Chunhua Yao, Alberto Hernandez, Yanhao Yu, Zhiyong Cai, Xudong Wang
Nano Energy
Vol.: 30, December 2016, Pages 103-108
DOI: 10.1016/j.nanoen.2016.09.036